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domingo, 5 de junho de 2011

Sábado dia 11/06

Sábado, dia 11/06

Sala Redenção 15:30

O medo do esporte: os descaminhos da civilização

Munique (2005). Direção: Steven Spielberg.





Conheça os Palestrantes

Diorge Konrad é Professor da Universidade Federal de Santa Maria no Departamento e no Programa de Pós-Graduação em História. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Social do Trabalho, atuando principalmente nos seguintes temas: História, Brasil, Movimentos Sociais e Políticos, Rio Grande do Sul. Organizou diversos ciclos de cinema na UFSM.
Para acessar seu currículo: http://lattes.cnpq.br/6649023072655942







Christiam Da Camino Karam é historiador com experiência em docência e pesquisa acadêmica sobre a História Medieval e Contemporânea da civilização árabe-islâmica, do Oriente Médio e do conflito árabe-israelense. Em relação a essas temáticas, já ministrou cursos e conferências no Brasil e na Colômbia, escreveu artigos e participou de debates e entrevistas nos meios de comunicação. É Mestre em História pela da Universidade de São Paulo (USP),
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Munique: terrorismo ontem e hoje

Munique: terrorismo ontem e hoje

Adriana Dorfman
Professora adjunta do Depto de Geografia da UFRGS


Onze de setembro de 2001: o ataque ao World Trade Center, prédio privado, símbolo da concentração do poder econômico nos Estados Unidos poderia ser entendido como um ataque à ordem vigente, ao imperialismo, ao capital. Provavelmente foi essa a intenção daqueles que planejaram sua destruição. Mas a forma como o evento foi noticiado transformou-o num ataque aos Estados Unidos, a todo o mundo ocidental, nos incluindo como vítimas.
No inicio da década de 1970 o terrorismo se difundiu pelos países centrais, usado como forma de romper o silêncio da grande imprensa sobre questões como a luta dos bascos, dos palestinos, dos irlandeses. Aviões seqüestrados, bombas em estabelecimentos comerciais e outras formas de ação direta mobilizavam a atenção internacional, levavam à evacuação de prédios, disseminavam o controle em áreas sensíveis. As lutas midiáticas estavam presentes na própria forma de agrupar tais militâncias: os terroristas eram - são - terroristas? Na guerra das representações, essa classificação apelativa traz em si sua condenação, e com ela, a reafirmação da “Democracia”. Como diz Guy Debord, “a história do terrorismo é escrita pelo Estado; portanto, é educativa. Naturalmente, as populações espectadoras não podem conhecer tudo sobre o terrorismo, mas podem saber o bastante para se convencerem de que, perante o terrorismo, o resto terá que parecer aceitável, e de qualquer maneira, mais racional e democrático." (Commentari sulla Societá dello Spettacolo).
Fica mais fácil ainda entender como a aplicação da categoria terrorista e o apagamento da História andam juntos quando pensamos no Brasil da ditadura militar. Os exércitos sem estado e contra o governo atuaram escolhendo alvos não convencionais, causando polêmicas, atraindo holofotes para suas bandeiras e ganhando poder de barganha. Aqui, as motivações nos são mais familiares, percebemos a manipulação presente na oposição da Revolução Redentora aos Terroristas Subversivos.
“Munique” mostra o momento em que tais questões faziam parte do dia-a-dia. Diferentemente da maioria das representações, o filme torna bastante presente a simetria de estratégias empregadas pelos agentes secretos do Mossad israelense e pelos militantes palestinos. Atenção à antológica conversa no vão da escada, em que se encenam os principais argumentos dos dois campos.

A Bela do Sábado de Tarde


Ayelet Zurer

Atriz israelense






Trailer

domingo, 29 de maio de 2011

Carruagens de Fogo

Dia 04/06

Sala Redenção 15:30

A inocência da civilização: o esporte na Belle Epoque.

Carruagens de fogo (Chariots of fire).





Conheça os Palestrantes

Carla Brandalise é professora de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais-UFRGS Tem experiência na área de História Política, com ênfase em política contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: Nações e Nacionalismos; Regimes políticos autoritários; História da extrema-direita européia do pós- Segunda Guerra Mundial; Fluxos migratórias contemporâneas; Relações Internacionais; e História do Tempo Presente.
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Miguel Stédile é mestrando em História na UFRGS. Seu tema de pesquisa é: “Da fábrica à várzea: futebol e identidade operária em Porto Alegre (1930-1937)”. É professor do Instituto de Educação Josué de Castro.
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Universíade - 1963 - Porto Alegre

Olímpiadas em Porto Alegre?

Porto Alegre e o Esporte:
Civilização e Independência nos anos da Guerra Fria*

Charles Sidarta Machado Domingos**

Porto Alegre foi sede dos Jogos Mundiais Universitários (Universíade-63) no ano de 1963. Foi a primeira vez que esses jogos foram realizados fora do continente europeu. Em um mundo bastante dividido pela lógica da Guerra Fria realizar um evento esportivo que congregasse atletas dos dois blocos econômico-sociais em disputa era uma grande atração, despertando muita curiosidade.
Não se passara um ano ainda do evento mais quente da Guerra Fria: a Crise dos Mísseis. O mundo vivia o pavor de uma guerra nuclear iminente. E no Brasil isso não era diferente. Mas ao mesmo tempo em que o medo espraiava-se entre as pessoas, o esporte era capaz de proporcionar momentos de alegria e de congratulação entre os povos. Uma competição esportiva como a Universíade-63 despertava paixões, tanto pela prática desportiva quanto pelo sentimento de patriotismo.



O ano de 1963 no Brasil foi um ano de fortes embates político-ideológicos. Em 06 de janeiro houve o Plebiscito no qual a população optou pelo retorno ao sistema presidencialista de Governo. As posições dos maiores partidos políticos se modificavam em processo acelerado. O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) se radicalizava cada vez mais à esquerda, tendo no discurso nacional-reformista seu mote.[1] O Partido Social Democrático (PSD) até então seu tradicional aliado no tempo da experiência democrática (1945-1964) estava em processo de distanciamento político em direção à União Democrática Nacional (UDN), agremiação de cunho liberal-conservador situado à direita no espectro político do período.
No Rio Grande do Sul assumia o Governo do Estado o pessedista Ildo Meneghetti. Destoando da política brasileira, a política gaúcha há muito já expressava o fenômeno de um PSD udenizado.[2] A tradição da bipolaridade política gaúcha se acentuava ainda mais numa conjuntura internacional também bipolar. No entanto, trazer a Universíade-63 para Porto Alegre se não foi um momento de trégua política, pois os ânimos assim não o permitiam, foi um período de tolerância.

A origem dos Jogos Mundiais Universitários

                   Os Jogos Mundiais Universitários – Universíade – foram realizados em Porto Alegre, no sul do Brasil, no ano de 1963. A Universíade nasceu de um esforço conjunto entre as duas grandes entidades do esporte universitário no mundo: a Federação Internacional do Esporte Universitário (FISU– Federation International Sport University) com sede em Paris e a União Internacional dos Estudantes (ISU – International Students Union) sediada em Praga. Ambas entidades foram fundadas em 1949 e tinham origens em entidades esportivas fundadas na década de 20 que não conseguiram se manter no período da Segunda Guerra Mundial.



                   Nessa época a FISU organizava as disputas esportivas entre os países capitalistas e a ISU entre os países socialistas, havendo ocasionalmente participação de algum país de um bloco numa disputa patrocinada pelo outro.
                   Em 1957 a Federação Francesa de Esportes Universitários organizou o Campeonato Mundial de Esportes Universitários, que reuniu estudantes dos dois blocos em que o mundo via-se dividido. Embora tenha sido uma disputa de pequenas proporções, ele acabou dando estímulos para a realização de um grande campeonato, no qual pudessem participar livremente e em grande número atletas das duas formações sociais existentes.



                   No ano de 1959, FISU e ISU concordaram em participar dos jogos organizados em Turim pela Associação Italiana de Esportes Universitários. A Associação Italiana de Esportes Universitários batizou esses jogos de Universíade, uma derivação das palavras Universitàrio e Olimpìade. Participaram desse certame 43 países e mais de 1400 atletas. Foi também estipulado nessa edição uma bandeira em forma de U para representar o evento e a elaboração do estatuto da FISU, que a partir desse momento englobaria as duas entidades e passaria a ser responsável pela continuidade dos Jogos Mundiais Universitários. Afinal, o esporte, segundo Carraveta, “entendido como jogo competitivo, se encontra em todas as sociedades, é um dos poucos conceitos culturais universais da humanidade” (CARRAVETA, 1997, p.24). No Estatuto da FISU, no seu artigo 2º lê-se: “A FISU persegue seus objetos esportivos e fraternos, sem consideração ou discriminação política, religiosa ou de natureza racial” (BOLETIM DA UNIVERSÍADE 63, Porto Alegre, nº 01, agosto, 1963).

Pensando e agindo
                   Era preciso um grupo forte e coeso para organizar os Jogos Mundiais Universitários. O trabalho era grande, o tempo pequeno, e o dinheiro curto. Mas os jovens universitários gaúchos não se intimidaram. Montaram um comitê e deram início aos trabalhos. O Comitê Executivo era formado por Henrique Halpern, Edgar Laurent, Darci Votto de Araújo, Adonis Escobar e Carlos Alberto Giulian. O diretor técnico foi Luiz Augusto Bastian de Carvalho. E para o Comitê Organizador foi escolhido o Sr. José Antônio Aranha, Secretário da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul e representante direto do Governador Ildo Meneghetti (BOLETIM DA UNIVERSÍADE 63, Porto Alegre, nº 1, agosto, 1963).
                   O país estava vivendo séria uma crise financeira.[3] Não havia muitos recursos destinados para a organização dos Jogos Mundiais Universitários. Eles ocorreram no mesmo ano dos Jogos Pan-Americanos de São Paulo, onde tinha sido destinado um montante elevado de verbas federais. A solução foi recorrer ao Governo do Estado, na figura do conservador Ildo Meneghetti.            
                        
O Governo do Estado do Rio Grande do Sul procurou dar todas as facilidades para os organizadores. Prova disso é a Ordem de Serviço – número 27– de 21 de agosto de 1963: O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL determina a todos os órgãos da administração estadual, inclusive autárquicos, seja dada prioridade na solução das solicitações feitas pelo Presidente do Comitê da Organização da Universíade 63, Doutor JOSÉ ANTÔNIO ARANHA. O PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 21 de agosto de 1963 (KOCH, 2003, pp. 33).
                         
                   Mas a cidade não estava preparada para receber um evento desse porte. Havia muitas melhorias a serem feitas. O prefeito de Porto Alegre, Loureiro da Silva, determinou que a Divisão de Limpeza Pública mantivesse em dia toda a Radial Leste, zona compreendida pelas ruas Ramiro Barcelos, São Luís, Luís de Camões e Avenida Ipiranga, área próxima onde estava sendo construído o ginásio que serviria para os jogos de basquete e vôlei da Universíade.  Também determinou que a Rua da Praia e adjacências fossem limpas e tivessem o calçamento restaurado. Além disso, pedia providências para que todos os pontos turísticos da cidade recebessem um tratamento especial. Afinal, a ocasião seria uma grande projeção para a cidade. E não se poderia perder essa oportunidade (CORREIO DO POVO, 11/08/63, pp. 25).
                  
A cidade acolhe os Jogos
                  No início da década de 1960, Porto Alegre era uma cidade em constante crescimento urbano. Mas ainda não tinha um parque esportivo suficientemente grande para abrigar uma competição como os Jogos Mundiais Universitários. Essa era uma das grandes questões a ser resolvida pelos organizadores da Universíade-63.



                   Conseguiram o compromisso do Governo do Estado, através do Secretário da Fazenda e diretor do Comitê Organizador, José Antônio Aranha, para a construção de um ginásio. Foi construído, em tempo recorde, 94 dias, o maior ginásio esportivo do sul do país, com capacidade para 10000 pessoas. Foi batizado Ginásio Universíade e hoje é conhecido como Ginásio da Brigada Militar.



                   As competições de atletismo, que acabaram sendo o ponto alto dos Jogos Mundiais Universitários, foram realizadas no Estádio Olímpico, do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.[4] Para a competição de esgrima houve uma inovação. Foram aproveitados os Armazéns A e B do Cais do Porto, que estavam desativados e sem uso. Os jogos de basquete e vôlei foram realizados no recém construído ginásio. As provas de ginástica, natação e saltos ornamentais foram realizadas no Grêmio Náutico União. Os jogos de tênis na Sociedade Leopoldina Juvenil e o pólo aquático no Petrópole Tênis Clube.

Sobre o Esporte e a Civilização nos tempos da Guerra Fria
            O mundo estava dividido naquele início da década de 1960. Era o auge da Guerra Fria e os países do globo acabavam alinhando-se as duas superpotências de então. No entanto esse alinhamento era muito mais favorável as superpotências do que aos países alinhados, pois a Guerra Fria era uma constante dominação sobre os povos e as economias locais.
                   No Brasil, a Política Externa Independente procurava uma nova forma de relacionar-se com os demais países do globo. E uma forma de atração a esses países, com vistas comerciais e econômicas, poderia ser o esporte. Não há fator de aglutinação social melhor do que o esporte. O esporte é uma referência positiva em qualquer sociedade, seja ela capitalista ou socialista. É através do esporte e do ideal olímpico que se adquire o “homem completo”.



                 Havia uma alternativa a mais então para os planos da Política Externa Independente: patrocinar em terras brasileiras uma competição esportiva de nível mundial. Por isso que foi trazida a Universíade-63 para o Brasil. Através dela se conseguiria uma excelente divulgação do Brasil para o restante do mundo. Afinal, a Universíade tinha todas as características de uma Olimpíada. O mundo estaria com suas atenções voltadas para o Brasil, o que constituiria um marco interessante para novas relações comerciais internacionais.
                   Desse modo, houve uma intencionalidade por parte do governo, especialmente o Governo Jânio Quadros, na busca da Universíade para o Brasil. Através dela, seriam favorecidos os contatos para novas relações comerciais com outros países, mesmo que ideologicamente diferentes do Brasil.
                   Mas por que Porto Alegre sediar esses Jogos? Porto Alegre estava em um momento particularmente privilegiado. Por terem sido realizados no mesmo ano os Jogos Pan-Americanos em São Paulo, a grande metrópole estava descartada de qualquer possibilidade de sediar a Universíade-63. Minas Gerais tinha um belíssimo estádio, há pouco construído, o Mineirão. No entanto, não teve força política suficiente para garantir a conquista. Porto Alegre teve. Suas entidades de esportes estudantis tinham peso político com as entidades nacionais. A cidade queria o evento. E o Governo do Estado investiu de forma pesada para viabilizar os Jogos Mundiais Universitários. Mesmo sendo um governado de oposição ao governo central do Brasil, o Governador Ildo Meneghetti viu na idéia dos Jogos um forte componente político. Para ele era uma boa forma de promoção. Tratou de pôr a estrutura do Estado a favor da Universíade, contando inclusive com ativa participação do Secretário da Fazenda do Estado na realização dos Jogos.



                   Para a cidade foi bom. Ela esteve no centro do mundo por alguns dias. Estabeleceu relações sociais com pessoas de diferentes procedências, o que foi muito enriquecedor para parte da população que pode se integrar ao evento. E também foi bom em termos econômicos, pois os atletas e membros da imprensa mundial fizeram muitos gastos aqui, e uma propaganda positiva da cidade para o mundo. Além disso, a cidade ganhou importantes espaços de integração esportiva, sendo o maior deles o Ginásio Universíade.
                   Por fim, através da Política Externa Independente, que mesmo não atingindo plenamente suas ambições por particularidades históricas bem conhecidas, o Brasil se integrou ao mundo e ajudou na busca pela paz, pelo congraçamento dos povos e, se não houve o crescimento econômico almejado e sua indispensável distribuição de renda, ao menos houve uma história de luta pela igualdade, de resistência e de não-subordinação àqueles que há muito nos exploram.

FONTES PRIMÁRIAS
Boletim da Universíade-63. Porto Alegre, Números 01, 03,04. Agosto e setembro de 1963.

Jornal Correio do Povo, Porto Alegre, edições de agosto e setembro de 1963.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARRAVETA, Elio Salvador. O Esporte olímpico. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1997

DOMINGOS, Charles Sidarta Machado. O Brasil e a URSS na Guerra Fria: a Política Externa Independente na Imprensa Gaúcha.

FONSECA, Pedro Cezar Dutra. A crise do Governo Goulart: uma interpretação. In: Encontro Nacional de Economia Política. Anais [recurso eletrônico]. Uberlândia: SEP, 2004, 28p.
KOCH, Rodrigo. Universíade 1963 – História e resultados dos Jogos Mundiais Universitários de Porto Alegre. São Leopoldo: Editora da Unisinos, 2003.

NOGUEIRA, Maristel Pereira. Universíade de 63: reconstrução da memória através da perspectiva dos jornais. Porto Alegre: Dissertação de Mestrado, PUCRS, 2004.

TRINDADE, Hélgio; NOLL, Maria Izabel. Rio Grande da América do Sul: Partidos e eleições (1823-1990). Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1991.



* Este texto é uma síntese do artigo publicado no número 4 da Revista Monographia da FAPA. www.fapa.com.br/monographia
** Professor de História no Instituto Federal Sul-rio-grandense – Campus Charqueadas.
[1] O projeto político do presidente João Goulart pode ser descrito como tendo caráter nacional-reformista em razão de pugnar a interferência do Estado na realização de reformas sociais, políticas e econômicas, visando ao desenvolvimento do país. Para esse fim foram importantes a sistematização da Política Externa Independente, a criação do 13º salário, o Estatuto do Trabalhador Rural – que levava os direitos sociais aos trabalhadores do campo –, a Lei da Remessa de Lucros (que limitava o envio de capitais para o exterior) e a criação da Universidade de Brasília (UNB) e Eletrobrás.
[2] Conforme Hélgio Trindade e Maria Izabel Noll, o Estado do Rio Grande do Sul, desde a Guerra Farroupilha (1835-1845) tem uma conformação política assentada em um sistema multipartidário de polarização. No pós-1945, essa confrontação se dará entre o PTB e o anti-PTB (TRINDADE; NOLL, 1991, p. 68-81).
[3] Conforme Pedro Fonseca os índices de inflação para os anos de 1961, 1962, 1963 eram, respectivamente, de 47,8%, 51,7%, 79,9%. Em 1964 o índice chegou a 92,1% de janeiro a dezembro (FONSECA, 2004, p. 1).
[4] A denominação Estádio Olímpico Monumental foi dada em meados da década de 1970, quando na gestão de Hélio Dourado foi construído o anel superior do estádio que seria palco de grandes conquistas na década de 1980.

A Bela do Sábado de Tarde


Alice Krige

Atriz Sul-africana com vários trabalhos no cinema e televisão.
Participou da série Star Trek





Trailer - Carruagens de Fogo

domingo, 22 de maio de 2011

Homens Brancos Não Sabem Enterrar


Dia 28/05
Sala Redenção - 15:30

As cores da civilização: EUA, que país é este?

Homens Brancos Não Sabem Enterrar (White Men Can’t Jump). 1992.


Conheça os Palestrantes

Nilza Silva é psicóloga formada pela UFRGS. Participou como palestrante de 2 ciclos de cinema.











Walter Günther Rodrigues Lippold é Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, possui graduação em História pela Faculdade Porto-Alegrense de Educação Ciências e Letras (2003). Tem experiência na área de História, com ênfase em História Moderna e Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: História da África e Diáspora Africana, Cultura Afro-brasileira, História da Música e Educação, Ensino de História e Eurocentrismo.
Para acessar seu currículo: http://lattes.cnpq.br/9363438914171650

Um olhar sobre o Basquete

Um olhar sobre o Basquete

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que sou casado com uma historiadora, logo, ao invés de correr o risco de cair na mesmice do "é preciso saber a história para traçar um futuro melhor", ao qual já fui criticado diversas vezes pelo argumento pouco original, deixo aos historiadores a tarefa de contar o surgimento dessa prática desportiva ;o).

Dito isso, sem mais delongas, vamos direto ao ponto: o basquete.

Sou muito mais aprecidador de basquete do que de xadrez, mas certa vez, durante uma partida com um amigo, que também joga basquete comigo, me peguei traçando um paralelo entre os dois esportes. Neste ponto já posso imaginar você pensando: "Pronto, pirou!!". Calma, calma, seguem aqui minhas percepções:

Assim como no xadrez, no basquete você tem um determinado tempo para efetuar sua jogada.
Assim como no xadrez, quem ocupa melhor a "quadra", leva vantagem sobre o oponente.
Assim como no xadrez, quando tudo parece perdido, uma jogada pode determinar uma reviravolta na partida.
Assim como no xadrez, a decisão pode vir nos segundos finais.
Assim como no xadrez, quem não entende, detesta, mas quem entende, ama.
Assim como no xadrez, estudar o seu adversário é fundamental.
Assim como no xadrez, ter uma boa estratégia e estar atento aos detalhes, pode lhe garantir a vitória.
Assim como no xadrez, o armador por vezes é o rei, por vezes a rainha, a peça central, a mais importante, a que pensa o jogo.
Assim como no xadrez, os alas ora são bispos cruzando a quadra com elegância para bandejas certeiras, ora são peões, enfrentando gigantes no garrafão.
Assim como no xadrez, os pivôs ora são torres aplicando um Roque, deixando o garrafão praticamente impenetrável, ora são cavalos, com sua incrível habilidade de transpor obstáculos ainda maiores.
Assim como no xadrez, as derrotas se apresentam nos detalhes, na desatenção.
Assim como no xadrez, o prazer de uma boa partida, ganhando ou perdendo é inenarrável.

Enfim, dia desses acompanhando um telejornal local, acompanhei uma reportagem onde exibia no Reino Unido um novo esporte que vem se popularizando, o Chess Boxing. Nesta modalidade as partidas de xadrez são disputadas num ringue onde posteriormente os mesmos atletas que a disputam enfrentam-se também no boxe. Mal posso esperar para algum outro lunático criar a modalidade de Chess Basketball ;o).

Ok, ok, uma fala um tanto quanto piegas, eu sei, mas quando entro em quadra, quando chego num parque para praticar o tal "basquetebol arte", quando assisto aos jogos do basquete nacional ou americano pela TV, é assim que vejo esse esporte. Uma paixão que além de me expor a pieguice é também minha válvula de escape. Indo mais além, me dá um certo prazer quando, ao chegar no parque da Redenção para bater uma bolinha, vejo uma gurizada, iniciantes nos esportes, escolhendo o basquete e não apenas o futebol. Uma geração Internet que se "fantasia" com bermudas compridas abaixo do joelho, camisetas de clubes da NBA ou da NBB, tornozeleiras, joelheiras, protetores diversos e passam a tarde se divertindo em quadra.

Basta dizer que meu filho de 1 ano e 3 meses já tem duas bolinhas infantis e uma tabela no quarto. Isso é claro, tirando o fato do papai e da mamãe terem um "escritório esportivo", onde a coleção de bolas e medalhas se perdem meio aos livros de história e de TI. Certa vez, categorizando as amizades numa rede social, vi que num universo de 550 amizades, cerca de 280 conheci graças ao basquete. Ou seja, além de me manter magrinho, me desestressar e me divertir, ainda me dá a oportunidade de fazer amigos. Trata-se realmente de um esporte completo.

Como nem tudo na vida são flores, quem é praticante sabe das dificuldades que é encontrar um lugar para jogar basquete. O basquete não é como o futebol, onde cada praça tem duas traves e, se não tiver, improvisa-se uma goleira com chinelos ou tijolos. O basquete precisa obrigatoriamente de uma estrutura com tabela e aro e que frequentemente é disputada de forma ferrenha justamente com o pessoal do futebol. Sério? Sim, sério, pois geralmente nessas quadras onde existe estrutura de basquete concomitantemente com traves de futebol, a modalidade que chegar primeiro leva a quadra o dia todo. Isso sem contar que, se 10 pessoas chegam para jogar basquete e 20 chegam para jogar futebol (o que é mais comum), impera a lei do mais forte, ou melhor, dos mais fortes e numerosos ;o) Além disso, durante uma partida de basquete, disputar rebotes onde estão fixadas as traves de futebol, é um convite à lesão, principalmente se o jogo for bom. O que acaba acontecendo, é que o pessoal do futebol depreda os aros de basquete, para que a quadra seja exclusivamente deles. É por isso que as quadras do parque Marinha do Brasil, da Redenção, do Parcão e outras quadras que possuem apenas a estrutura para a prática do basquete e não de outros esportes recebem inúmeros frequentadores e se tornam principal ponto para quem quer bater uma bolinha.

Quem não é apenas praticante, mas apaixonado, sabe do prazer que é entrar sozinho numa quadra de basquete, e aliviar todas as suas tensões ouvindo o quique da bola, arremessando várias e várias vezes, 20, 50, 100, 200 vezes, até braços e ombros começarem a reclamar. Então seu cérebro diz: "Oh oh, perdi a conta, estamos no 198º ou no 199º arremesso?". E você responde: "Também não sei, mas sem stress, começamos de novo". Ouvir o barulho da bola entrando na redinha sem enconstar no aro, o famoso "Chuá", é uma das "n" coisas da vida que não tem preço. Se tivesse, eu com certeza pagaria. Assistir a uma partida, onde uma das equipes passa o jogo inteiro correndo atrás do placar e consegue uma virada nos segundos finais, ganhando por um único e mísero pontinho, é uma das experiências mais engrandecedoras que um aficionado por esportes pode acompanhar; o que dirá, viver. Além de ser é claro, uma aula de força de vontade, de saber que antes do apito final, podemos tudo. Jogar basquete é conhecer a superação da condição física humana, saber que o homem é capaz sim de voar, e por muitas vezes, desafiar leis da física; quem já ouviu os nomes Micheal Jordan, Kobe Bryant, Lebron James, entre tantos outros, sabe bem do que estou falando.

Basquete é vida. Vida longa ao basquete.

Cristiano Goulart Borges

A bela do sábado de tarde




Tyra Ferrell

Atriz com vários trabalhos no cinema e na televisão.


Trailer

domingo, 15 de maio de 2011

Sábado dia 21/05!!!

“Os seus, os meus, os nossos”:
mito, esporte e os ídolos na vida cotidiana.

            O caminho de San Diego (El camino de San Diego).
2005. Direção: Carlos Sorin


Conheça os palestrantes

Álvaro Antonio Klafke é Doutor em História pela UFRGS, onde também atuou como professor substituto. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil Império, atuando também nos seguintes temas: Teoria e Metodologia da História, História regional, História do Rio Grande do Sul, formação do Estado e da Nação, História Moderna, História da Cultura, Cultura brasileira, Patrimônio Histórico-cultural, cidades, modernização, História da imprensa. Foi centroavante do Futebol Clube Santa Cruz e da equipe dos professores de História os “Jurássicos Futebol Clube”.
Para acessar seu currículo: http://lattes.cnpq.br/6592664269677670










Arlei Sander Damo é professor de Antropologia na UFRGS. Autor dos livros "Do dom à Profissão: a formação de futebolistas no Brasil e na França" (HUCITEC) e "Futebol e Identidade Social" (Editora da UFRGS), e co-autor com Ruben Oliven de "Fútbol y Cultura" (Norma, Buenos Aires). Publicou mais de 17 artigos e 11 livros. Atuou no meio campo da equipe dos professores de História os “Jurássicos Futebol Clube”.
Para acessar seu currículo: http://lattes.cnpq.br/9535835543378743

O caminho de San Diego e a Odisséia de Benítez

O caminho de San Diego e a Odisséia de Benítez

Gerson Wasen Fraga*

A primeira vez que tomei conhecimento da existência de O Caminho de San Diego (Argentina, 2006; direção por Carlos Sorín) foi através do material de divulgação do ciclo de cinema “Vida é Jogo, Jogo é História! Esporte e Civilização”. Até então, a película que narra a odisséia do jovem Tati Benítez (com o objetivo de presentear o ídolo Diego Maradona com a raiz de Timbó cuja forma natural se assemelha, na opinião do protagonista, ao rosto do jogador) me passara completamente despercebida. E talvez assim continuasse, não fosse pela postagem do trailer do filme no blog. Não foi necessário uma segunda exibição das cenas para que eu me desse conta de que estava diante de um filme diferente, sensível, que se destaca não pelos cenários mirabolantes, por explosões ou perseguições. O Caminho de San Diego, pelo contrário, me prendeu pela sua natureza muito próxima aos filmes de documentário, explorando a realidade através dos atores amadores, de cenas que poderíamos muito bem presenciar em uma rápida incursão ao interior do país vizinho. Cenas de pobreza mas também de fé. De trabalho e da eterna espera por uma recompensa qualquer, que pode ser tão simbólica quanto a visita de um grande time da capital a uma perdida cidade do interior. Cenas não só da Argentina, mas de um país latino-americano qualquer, onde as raízes históricas que explicam as diferenças entre o interior e o centro vêm desde os tempos de Facundo e da Regência. E onde as efêmeras ligações em torno de um objetivo comum encontram uma rara oportunidade de concretização através do esporte.
Lamentavelmente, não pude estar presente na tarde em que o filme foi exibido. Para além do filme em si, me interessava muito ouvir os comentários do Álvaro e do Arlei, dois craques, dois jovens craques na área das Ciências Humanas, que poderiam muito bem receber cada um uma camisa dez jogando pelo mesmo time. Me resta apenas o prazer de desfrutar suas linhas neste livro. Contudo, graças aos organizadores, ganhei na semana seguinte uma cópia do filme. E foi então que tive a certeza absoluta de estar diante de uma obra de rara sensibilidade.
O Caminho de San Diego não é um filme sobre futebol. Ou não é apenas um filme sobre futebol. É um filme sobre a relação apaixonada entre o torcedor e seu ídolo. Relação unilateral, normalmente não correspondida, mas nem por isto menos importante. E aqui me saltou aos olhos uma das grandes virtudes da obra de Sorín: Tati Benítez não é um estereótipo, como os brutamontes enlouquecidos das barras bravas, nem o jovem sem perspectivas de vida que encontra na paixão por seu clube uma razão para viver. O protagonista é homem simples, poderíamos dizer mesmo “comum”, com sua necessidade de trabalho, com sua família para alimentar, com seus amigos e vizinhos que encontra em horas de folga ou aperto. Tati Benitez poderia ser qualquer um de nós, que temos no jogo um motivo de gozo e sofrimento, mas que sabemos o quanto ele se faz importante em nosso cotidiano.
Algo que chama a atenção ao longo do filme serena com que o protagonista vai ganhando a simpatia e a confiança das pessoas que vai conhecendo ao longo de sua jornada. O motivo principal não está em seu sorriso humilde, em um carisma sempre difícil de definir. A razão está na missão auto-imposta que lhe conduz à distante capital argentina. Aquilo que a princípio parece uma loucura solitária vai se mostrando ao longo do filme como um movimento do qual toda uma sociedade faz parte. Em outras palavras, é a ideia da comunidade imaginada que transparece e se materializa a cada vez que Tati Benítez ouve uma palavra de incentivo. Em cada um dos companheiros de viagem  que ele encontra, há algo a ser dito sobre o ídolo em questão, sobre a relação com o esporte, enfim, sobre o pertencimento a um mesmo grupo social, preocupado naquele momento com o que poderia vir a ser um momento decisivo na vida de Diego Armando Maradona.
E o que faz Maradona ser este ídolo na vida do jovem Benítez? A pergunta não é tão simples, e poderia muito bem ser estendida da seguinte forma: o que faz Maradona ser um ídolo para os argentinos? O que faz Garrincha ser ainda hoje um mito para os brasileiros? O que fazem os Portaluppis, os Valdomiros, os Romários, os Leônidas, os Helenos, para assumirem o posto de ídolos de uma coletividade de torcedores mesmo após o fim de suas carreiras? As respostas podem ser muitas, indo desde à exposição na mídia ao sucesso pessoal na carreira. Acho que vale ressaltar outro fator: o caráter absolutamente humano que possuem. Benítez, com efeito, não busca seu ídolo no momento da alegria. Sua jornada, ao contrário, se inicia quando descobre que Maradona talvez esteja jogando a última partida de sua vida: a partida pela própria vida. Benítez não vai em busca do inatingível. Ele sabe do lado de Maradona, no fundo, é tão humano quanto ele mesmo.
Ao mesmo tempo, o ato de levar a raiz de Timbó a Maradona só pode ser compreendida enquanto gesto do agradecimento. Não se trata de uma raiz mágica, de algo que inexplicavelmente vá curar Diego ou transportá-lo novamente a uma idade de ouro que àquela altura já havia terminado. Benitez quer simplesmente agradecer. Agradecer a beleza do gols, dos dribles, das vitórias. Agradecer, em suma, a felicidade que o atleta, guerreiro contemporâneo, trouxe a sua existência a cada jogada imprevisível, a cada vitória que lhe trouxe algum significado nos fins de semana cheios de vazios.
Em sua simplicidade, Benitez consegue compreender o significado do esporte como algo que vai além de uma simples atividade física. Ele compreende sua beleza de seu lado humano, cheio de alegrias, mas também de suas pequenas tragédias. Benítez, ao seu modo, é também um craque.  Merece o dez que carrega nas costas.


* Professor de História na UFFS-Erechim. gwfraga@terra.combr


Entrevista com Carlos Sorín

 
Cines Argentinos (C A):- ¿Originalmente esta historia la concebiste con la figura de Eva Perón?
Carlos Sorín (C S):- Si, había hecho un bosquejo allá por 1997 inspirado por el libro "Santa Evita" de Tomas Eloy Martinez. En un capítulo hablaba de las proezas que la gente hizo para salvar a Evita en su agonía.Mi historia trataba de dos hacheros que traian a Buenos Aires un tronco de timbó cargado en el hombro. Un típico ejemplo de pensamiento mágico.Cuando Maradona se enfermó en el 2004 mucha gente vino en peregrinación a la clínica reproduciendo el mismo sentimiento de aquellos que llegaron hasta Evita para darle su apoyo.

C A:- A diferencia de tus últimos trabajos cambiaste las rutas del sur por el noreste argentino ¿Cómo viviste la experiencia de filmar en la selva de Misiones?
C S:Dejé de padecer el polvo y el viento para padecer el calor y los insectos. No se si fue un buen cambio. Pero mi escenario es siempre la ruta, con sus paradores,estaciones de servicio,moteles. No es muy importante que hay a los costados de la ruta. Pueden ser desiertos,pueden ser montañas,puede ser la selva.Y mis films siempre terminan siendo un viaje. Por supuesto no son viajes de turismo. Para mis personajes esos viajes son esenciales, tienen que ver con sus dramas.


C A:-¿Fue difícil encontrar a los actores de esta historia en esta región?
C S: No. Es más fácil que en la Patagonia.En primer lugar porque hay más gente,son zonas más pobladas y también porque la gente del noreste es muy comunicativa.Es fácil relacionarse con ellos.

C A:- ¿Cúal es el secreto para lograr esa espontaneidad en personas que, en su mayoría, nunca se pararon frente a una cámara?
C S: La clave fundamental es tener suerte.Suerte de encontrarlos y suerte que les salga lo que uno quiere.Después es necesario tener paciencia.Esperarlos.Dejarlos que les pasen las tensiones y puedas tomarlos desprevenidos.Mi función quitarle la tensión que le viene a cualquiera que no sea actor,cuando le pones una cámara adelante.Es necesario tener mucho tiempo y estar dispuesto a cambiar aspectos del personaje si a la persona que lo interpreta no le sale.Y lo fundamental:el personaje y la persona deben ser muy parecidos.


C A:- ¿Por qué elegiste el formato de documental para presentarnos al protagonista el "Tati " Benítez?
C S: Era una forma clara y franca para que el espectador sepa todo lo que tiene que saber del protagonista antes que empiece la historia. Sino hubiese sido mucho más largo y engorroso.Hubiese tenido que crear situaciones y contrabandear información. En "la Pelicula del Rey" hice algo parecido:comienza con un reportaje que dos periodistas le hacen a Julio Chavez y en ese reportaje pongo todo lo que el espectador tiene que saber sobre el rey de la Patagonia. En "El Perro" tambien hice algo parecido.Casi en el comienzo el protagonista es entrevistado por el dueño de una agencia de trabajo y este le pregunta todo lo que el espectador tiene que saber de Juan Villegas.

C A:-El camino de San Diego representa otro avance en la carrera actoral de Pascual Condito, ícono de la distribución cinematográfica argentina. ¿Sus personajes de hombres malhumorados son autobiográficos?
C S: Digamos que ese tipo de personaje le cae muy bien.Como un traje hecho a medida.De cualquier manera Pascual es una persona muy emotiva y en las próximas películas lo tendré que explotar más esa veta.


C A:- ¿Es cierto que una de las actrices que interpreta una prostituta tenia miedo que el rodaje fuera una mentira y la terminaran secuestrando?
C S: Si, yo estuve presente en el momento que ella llegó a Curuzú Cuatia para integrarse al equipo. Estaba paranoica. Creian que todo estaba armado para secuestrarla. Pero no podia dejar de venir,por las dudas.Y en cierto sentido sus temores eran razonables:quién podia pensar en ella para una película?.Era mas verosimil que se tratara de una trampa.Sin embargo,habiamos pensado en ella para la película...

C A:-¿Ya tenés programado el "San Diego World Tour" en dondes vas a presentar la película? Una historia que gira en torno a Maradona no sólo despierta interés acá, ¿no?.
C S: Vamos al Festival de San Sebastian y ahí podré darme cuenta como responde el público no argentino.Y si bien Maradona es una personalidad de alcance internacional, la pelicula no trata de Diego, sino de un fan.La noche del 23 de septiembre,cuando se exhiba oficialmente en el Festival podré darme cuenta que pasa con la pelicula en el ámbito internacional.
Entrevista de Hugo Zapata